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História da antropologia no arquivo iconográfico Luiz de Castro Faria

Publicado: Terça, 11 de Abril de 2017, 16h29 | Acessos: 503

Coordenadoras: Heloisa Maria Bertol Domingues e Maria Celina de Mello e Silva (organização do arquivo)

Resumo

O projeto visa organizar e analisar o material iconográfico constante do Arquivo Luiz de Castro Faria, sob guarda do MAST. O material abrange o período de atuação profissional desse antropólogo brasileiro, produzido entre as décadas de 1930 e 1980. Para a história da antropologia, a análise dos documentos desse arquivo vem mostrando o caminho original percorrido por esse antropólogo, por especialidades sobre as quais pouco se conhece, como a antropologia ecológica, ou ecologia humana.

Castro Faria formou-se na tradição naturalista, da pesquisa de campo etnológica que se realizava em conjunto com outras especialidades das ciências naturais, desenvolvidas no Museu Nacional, onde trabalhou por sessenta anos. A formação científica o levou a estudar a cultura das sociedades, enquanto relações de produção que se realizam num meio físico específico. Sua prática científica caracterizou-se pela pesquisa de campo, cujo primeiro trabalho foi a expedição à Serra do Norte, chefiada por Claude Lévi-Strauss. Antropólogo iniciante, ele revelou no diário daquela expedição um enorme conhecimento e sensibilidade sobre a cultura indígena (FARIA, Luiz de Castro. Um outro olhar. Diário da Expedição à Serra do Norte, Mato Grosso. Rio de Janeiro: Editora Ouro Sobre Azul, 2001). Nas expedições que se seguiram tratou da cultura social, marcada pela relação sociedade e meio ambiente, com destaque para a pesca e garimpos, para o comércio dos produtos regionais, nas feiras locais, sobre as quais destacou os produtos que eram vendidos e os impactos sociais daquele tipo de comércio. Trabalhou os sambaquis, analisando as permanências culturais de determinadas sociedades e mostrando o quanto continham sobre a história da cultura social que estava se perdendo para as fábricas de cal, principalmente no sul do Brasil (acervo virtual). Engajou-se, com isto, na luta pela preservação dos sambaquis que levou à Lei de Proteção aos Sambaquis, em 1961 (DOMINGUES, Heloisa Maria Bertol. Barbosa Rodrigues e os sambaquis da Amazônia. Revista Brasileira de História da Ciência, v.5, Suplemento, p. 51-60, dez. 2012).

A sua relevante produção científica guiou a estruturação dos cursos que formaram centenas de antropólogos e historiadores durante os sessenta anos que deu aulas no Museu Nacional e na Universidade Federal Fluminense (UFF, Niterói), até os anos 2000. Foi o iniciador da disciplina Pensamento Social no Brasil, hoje disseminada pelos cursos de sociologia, país afora. Deixou material riquíssimo, entre manuscritos, impressos e iconográficos, de enorme importância para a história da antropologia, que este projeto busca analisar, paralelamente à organização.


Equipe

Heloisa Maria Bertol Domingues (coordenadora); Maria Celina de Mello e Silva (coordenadora); Alfredo Bronzato Cruz (bolsista PCI - MCTI/MAST); Lucimeire da Silva Oliveira (bolsista PCI – MAST/MCTI)

 

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